Os Olhos
Bem, eu já levantei mesmo, a rua onde eu moro está muito silenciosa, chega a despertar minha curiosidade, a casa tá escura, eu me arrisco a andar por ela, abro a janela da minha sala de estudos a mesma que é iluminada pela luz da lua, mas, nossa que luar! Empolgo-me a abrir a porta da rua e me sento no passeio da casa a observar o luar, algumas nuvens ralas passam pela frente dele, deixando a lua com um tom marrom meio amarelado, assim como eram os seus olhos ...
Aqueles que lhe enfeitavam a face, juntamente com o sorriso, bastante acentuado que, aberto, se tornava imenso e provocava o surgimento de duas barrocas em suas bochechas, o rosto sempre vívido e alegre, raramente o vi cabisbaixo, cabelos castanhos por onde meus dedos passeavam, braços longos nos quais repousei, me trazendo uma sensação de alívio momentânea as sobrancelhas eram proporcionais aos olhos... os olhos, como falar deles? Eu realmente não sei o que dizer dos seus olhos, apenas que eram incandescentes e coloridamente castanhos. Os olhos castanhos os quais eram o portal para seu interior, onde eu andei e passei direto, não fiz morada dentro deles como eu desejava, só bastava um olhar pra fazer renascer milhares de coisas em mim, me queimavam adoçadamente, entre outras coisas que por mais que eu procure, não consigo palavras para descrevê-las.
Se bem que faz um tempo que eu espero pra me entregar de vez ao seu olhar novamente, assim, como da primeira vez, na qual dançamos juntos, permitimos entrar cada um no olhar do outro, ele apenas disse o meu nome e daí nos entregamos, não dava pra conter, havia desejo, havia vontade, a energia dos corpos se pedindo, não pensávamos no passado, nem no futuro, somente naquele momento, que era só nosso apesar de ter tocado uma terceira pessoa, a única testemunha do nosso ato insanamente sentimental, a única pessoa que sabe de todos os detalhes que nem mesmo eu e ele sabemos.
O luar agora se torna mais nítido, as nuvens já passaram, o sereno resfria a ponta do meu nariz devo voltar para dentro da minha casa apesar da hora que é, não sinto medo de ficar aqui, depois dessas coisas que tenho sentido, perdi o medo de algumas coisas e não me assusto muito com outras. Não há nada de complicado, eu me conformo então em voltar pra cama e tentar dormir outra vez.
M.L.
O que mais posso dizer...

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