domingo, 14 de abril de 2013

PROFESSORA BÁRBARA [Parte 2]

A Noite

A noite costuma chegar cheia de fardos pesados nas minhas costas. Por um momento alívio, relaxo forçadamente despojada no sofá, com meus pés na bacia, lembro que devo ir a cozinha catar algo pra comer. Não sei porque mas no vazio, sinto como se alguém estivesse me vigiando, eu bem queria que aparecesse alguém do nada e me dissesse: “Bum! Isso é uma pegadinha, agora você pode voltar pra sua vida de verdade que é bem mais serelepe e colorida!” (risos) É, eu sei que tenho uma mente fértil e apesar de estar a todo tempo pensando na volta dele, eu viajo demais... viajo muito, acho que é por isso que ainda estou viva. Tudo bem, devo parar de falar como uma adolescente.
Uma xícara de café, dois pães, sofá e novela. O casal de amantes se beijam e conversam na tv, ele diz pra ela que não pode perder-la, e também não pode perder sua esposa, e que se sente como se estivesse se jogando em uma loucura, e se perdendo em um caminho feliz, porém tentador, e ela responde que sente o mesmo e pergunta se ele acredita nela. Eu bem queria que o meu amado viesse até mim e me dissesse o que ele sentia, e eu responderia que também sentia o mesmo. Apesar de estar sempre procurando atividades extras para assim ocupar mais minha mente, não consigo tirá-lo dos meus pensamentos e no final do dia estou sempre assim, sobrecarregada de dores e cansaços. Daí então que vem a desilusão, eu me lembro de uma série de fatos que me vem como flash de memórias e pontos negativos, tipo da ultima vez que ficamos, estávamos um sentado ao lado do outro, e só eu me virava para beijá-lo, ele só recebia meus beijos, aqueles que pra mim eram como o da primeira vez, com as pernas meias trêmulas, a respiração ofegante e o coração acelerado, não sentia frio, não sentia cansaço, apesar de que estávamos nós lá, sentados em uma calçada. Eu, ele, a paixão, e outro elemento que acabou se tornando um guardião do nosso caso.

Na tv agora, um cara declama trechos de “Otelo, a tragédia do ciúmes”, taí uma coisa que me deixava mal toda vez que ele tinha que ir embora, o ciúmes e o medo de que ele não volte mais, como se tivesse segurando um punhado de areia na mão, e de que apesar de apertar com força, a tendência seria escorrer, grão por grão até restar alguns vestígios que o vento carregaria, e assim foi. (desliga a tv e liga o rádio) rádio: 'The thrill is gone, the thrill is gone baby...', Nossa a inconfundível voz do grande B.B. King, corresponde com minha morbidez, dá até vontade de dançar (risos). Enfim, depois do banho só me resta deitar, descansar, tentar vê-lo em meus sonhos, já que chamo ele durante todo o dia.
M.B.


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